Já pensou em lucrar em dólar? Conheça o cross border, modalidade de venda internacional que se valoriza com a alta da moeda americana

Cerca de 82% da população mundial já realizou compras no exterior

São Paulo, fevereiro de 2022 — Com o dólar alto, muitas oportunidades de negócios perdem parte do valor, mas um sempre se valoriza: a exportação. Porém, o que antes era reservado a grandes empresas pode ser feito por qualquer loja online, e essa modalidade de venda tem um nome: cross border, ou venda transfronteiriça. De acordo com o levantamento “Seizing the Cross-Border Opportunity” da Forrester, 82% da população mundial faz compras em sites internacionais, procurando oportunidades de compras mais baratas fora das mãos de lojas de importação, que aplicam suas próprias taxas para obter lucro.

Com a pandemia, em que houve um crescimento de 9,5% no número de usuários de e-commerce segundo dados da consultoria italiana Finaria.it, a desconfiança que alguns consumidores sentiam com compras online internacionais foi se reduzindo. Segundo Guilherme Juliani, presidente do Grupo Move3, holding que reúne grandes empresas de logística como Moove+, Moove+ Portugal e Flash Courier, essa queda na desconfiança somada com a desvalorização do real torna o Brasil um espaço perfeito para o cross border. “O vendedor não deve apenas passar o preço do seu produto em real para o dólar, mantendo a taxa de lucro igual, e sim fazer uma pesquisa de mercado e vender o seu produto apenas um pouco mais baixo que a média em dólar. Dessa forma, é oferecido um benefício ao cliente internacional e uma porcentagem de lucro muito maior ao exportador brasileiro”, explica.

Para quem ainda não sabe o que vender, algumas coisas devem ser pensadas, como a perecibilidade do produto, que precisa aguentar a jornada internacional. Porém, outras coisas devem ser levadas em consideração. “Para quem pensa em vender eletrônicos, é necessário lembrar que o custo de um produto desse setor quase sempre será menor em países asiáticos que no Brasil, por exemplo. Mas o País consegue oferecer um preço competitivo em itens como brinquedos, artigos para hobbies, acessórios, cosméticos e artesanais”, aponta Juliani.

Confira outras dicas para aplicar o cross border:

 

1 – Burocracia

Se o vendedor já possui um CNPJ, não precisa alterá-lo para realizar exportações. “O Brasil é um país que, de certa forma, incentiva a exportação, já que a burocracia é muito menor comparada a de outros países”, comenta Guilherme. Só é necessário se atentar para, na nota fiscal, preencher o grupo 7000 no campo “natureza da operação”. Ele indica que a venda é destinada para o exterior, e tem como benefício a isenção dos impostos ICMS e IPI.

 

2 – Conheça bem o inglês

Mesmo se o cliente final não for de um país anglófono, como Estados Unidos e Inglaterra, é importante evitar traduções muito literais, típicas de serviços online. “É interessante saber o vocabulário da área do seu produto, algo que costuma vir naturalmente com o tempo. O tradutor quebra um galho para responder dúvidas do cliente, por exemplo, mas precisa de um cuidado maior com o inglês usado para anunciar o produto”, explica Juliani. Além de passar maior credibilidade, usar um termo incorreto pode comprometer a presença do produto nos resultados dos mecanismos de busca.

 

3 – Clareza é essencial

Sendo as taxas pré-pagas ou pós-pagas pelo cliente, é necessário ser claro sobre o processo e valores na hora de fechar a compra. “O consumidor não quer ter surpresas quando o produto chegar no país com taxas inesperadas, por isso a modalidade pré-paga, usada por players como a Amazon, costuma ser muito popular no ramo”, conta o CEO do Grupo MOVE3. Grandes impostos que aparecem só no pós-pago podem fazer com que o cliente desista do produto e ele retorne ao Brasil, o que pode implicar em novas taxas para o vendedor — quando um produto volta ao país, ele é taxado como uma importação normal pela Receita Federal.

 

4 – Como funcionam as devoluções

Bem, como dito acima, o produto será taxado como uma importação comum ao voltar ao Brasil. “As taxas são altas, e normalmente não vale a pena”, aponta Guilherme. Porém, não há razão para desespero: existem operadores de logística reversa em centros de distribuição em todo o mundo. O vendedor só paga um percentual a eles quando vender o produto novamente no país e eles despacharem.

 

5 – Onde vender?

Essa é a pergunta principal e passa por vários pontos: qual plataforma de venda será escolhida, qual transportadora será usada e qual país a maioria dos seus compradores mora. “Antes de tudo, vale a pena decidir qual país é seu foco então ver quais plataformas de venda são mais populares no local. A expansão sempre é possível e desejada, mas é importante começar focando para não atirar para todos os lados e diluir os esforços e, consequentemente, os resultados”, explica Juliani. Um país que pode ser interessante para muitos vendedores, por exemplo, é os Estados Unidos, que possui uma cultura de compras online consolidada e está a uma viagem de avião do Brasil, muitas vezes sem escalas. Porém, cada produto pode ter um foco em um mercado específico, e é útil fazer uma pesquisa para garantir bons resultados.

 

Sobre o Grupo MOVE3

Grupo MOVE3 está presente no mercado há mais de 25 anos e é referência em logística no Brasil. Sediado em São Bernardo, no ABC Paulista, opera em um espaço de mais de 20 mil m². Entre as empresas que fazem parte do grupo está a Flash Courier, líder no setor bancário e com uma carteira de clientes composta por agências financeiras, bancos, empresas de ingressos, gestoras de benefícios como vale alimentação, refeição e transporte, planos de saúde, entre outros segmentos, além da Moove+Moove+ Portugal, a gráfica Jall Card e a fintech M3Bank. Para se ter uma ideia da proporção da operação, atualmente, a malha de distribuição realiza em torno de 10 milhões de entregas por mês.

Nos últimos anos, o Grupo MOVE3 investiu pesado em tecnologia e inovação – como robótica, mobile, big data, automação e sharing economy – e no processo de adaptação às novas exigências do governo, em especial as obrigações de CT-e, MDF-e e SPED, que de maneira geral, têm o objetivo de garantir a transparência e a segurança durante o transporte. Além disso, a empresa está licenciada para operar no mercado de logística e distribuição de produtos certificados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segmento que tem impulsionado ainda mais o crescimento da empresa.

Redação

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